A redução de 71 euros no preço médio dos seguros nos últimos quatro anos representa uma “poupança de 500 milhões de euros anuais aos consumidores”, sublinhou Miguel Guimarães, director-geral adjunto da APS.
O número de sinistros ocorridos nas estradas portuguesas e cobertos por seguro aumentou para 853 mil em 2010, que compara com os 782 mil casos registados no ano anterior. A taxa de sinistralidade aumentou para 84 por cento, mais três pontos percentuais homólogos, mas a “redução da gravidade dos sinistros” explica a diminuição no custo do seguro automóvel, segundo Pedro Seixas Vale, presidente da APS. Este é também um sinal de que “os portugueses estão a conduzir melhor”, acrescentou.
No ano passado, 12 por cento dos acidentes foram cobertos por seguros, totalizando um custo de 1,42 mil milhões de euros, que comparam com os cerca de 1,38 mil milhões gastos em 2009. Cada acidente teve um custo médio de 1663 euros em 2010.
O número de veículos seguros atingiu os sete milhões em 2010, acompanhado por um aumento do número de apólices a “pessoas transportadas” e “danos próprios” (cobertura do veículo), que atingiram 74 por cento e 48 por cento, respectivamente.
Os números revelam que cerca de “25 por cento dos condutores não estão seguros”, alertou Pedro Seixas Vale. Isto porque o seguro de “responsabilidade civil” (o único obrigatório) cobre os passageiros, mas não o condutor. Assim, na prática, os condutores são os únicos que necessitam da cobertura a “pessoas transportadas”, sublinha o presidente da APS.
“A tendência clara de agravamento da sinistralidade” deve-se também ao aumento das coberturas para além do seguro de responsabilidade civil: “A quebra de um vidro corresponde a um sinistro”, exemplificou Miguel Guimarães, referindo-se ao seguro contra a quebra isolada de vidro.
No ano passado, foram entregues 10.753 reclamações juntos das empresas de seguros e seus provedores, um valor “quase inexpressivo” para um sector que gere cerca de 2500 sinistros por dia, considerou Miguel Guimarães, acrescentando que se tem verificado uma “melhoria da qualidade dos serviços na última década”


O número de processos abertos pelo Fundo de Garantia Automóvel (FGA) no primeiro semestre deste ano desceu 6,4%, o que leva os responsáveis do fundo gerido pelo Instituto de Seguros de Portugal a acreditar que o número de veículos a circular sem seguro poderá estar a diminuir. O Fundo de Garantia Automóvel assegura o pagamento das indemnizações devidas às vítimas de acidentes provocados por viaturas sem seguro válido, beneficiando, no entanto, do direito de regresso junto dos condutores responsáveis.



